A Fórmula 1 e os promotores locais de Zandvoort fecharam uma extensão de apenas um ano que mantém o GP da Holanda no calendário até 2026, quando a prova deve sair definitivamente, segundo apuração da Agência Brasil. Não se trata de uma renovação plena, mas de um prazo curto que já nasce com data de validade marcada, o que muda o tom de como a categoria e os fãs holandeses tratam as próximas edições da corrida. Depois de mais de três décadas fora do calendário, o circuito volta a caminhar para uma despedida, ainda que dessa vez sob outras circunstâncias.
Essa despedida tem um antecedente direto: Zandvoort sediou o GP da Holanda entre 1952 e 1985 antes de passar 36 anos fora da Fórmula 1, retornando ao calendário somente em 2021. A volta daquele ano coincidiu com a ascensão de Max Verstappen como candidato ao título, e as arquibancadas lotadas de torcedores vestidos de laranja, apelidados de “Orange Army”, tornaram-se a imagem mais associada ao circuito nesta segunda fase. Foi esse combustível popular que sustentou a reentrada da pista no grid depois de tanto tempo ausente.
O desempenho de Verstappen dentro de pista acompanhou esse fenômeno nos primeiros anos: o piloto da Red Bull venceu o GP da Holanda três vezes seguidas, de 2021 a 2023, antes de terminar em segundo lugar em 2024, a primeira vez desde o retorno do circuito em que ele não venceu em casa. Mesmo com essas três vitórias, Verstappen ainda fica a um triunfo do recorde histórico da prova, que pertence a Jim Clark, vencedor em quatro oportunidades, em 1963, 1964, 1965 e 1967. A sequência holandesa do tetracampeão foi interrompida pela McLaren, com Lando Norris vencendo em 2024 e Oscar Piastri repetindo o feito em 2025.
O fim do vínculo com Zandvoort também está ligado a um problema de espaço no próprio calendário, que cresceu para um recorde de 24 corridas e empurrou a Fórmula 1 para um sistema de rodízio entre circuitos europeus, de forma a abrir vagas para novos mercados. Barcelona, na Espanha, Spa, na Bélgica, e Ímola, na Itália, aparecem como candidatos a ocupar essa vaga rotativa a partir de 2027. A diferença entre os casos é relevante: enquanto Spa permanece no calendário por meio desse sistema de rodízio a partir de 2027, o circuito de Zandvoort deixa a categoria por completo depois de 2026, sem alternativa de retorno programada.
Parte da explicação para essa saída passa pelas características físicas do próprio traçado. Zandvoort tem 4,259 km de extensão e 14 curvas, entre elas a Curva 14, batizada de Arie Luyendijk Corner, com um bankeamento de 18 graus descrito como mais acentuado que o de muitos autódromos ovais. A pista fica entre dunas de areia à beira do Mar do Norte, com pouquíssima área de escape, o que dá ao layout um caráter antigo e de alto risco dentro do grid atual. Mesmo com essas limitações, o circuito tem capacidade para 105 mil espectadores e reuniu mais de 300 mil pessoas ao longo de cada fim de semana completo de corrida entre 2021 e 2023.
A edição de 2026 do GP da Holanda vai rodar em formato sprint pela primeira vez, com a prova marcada para o fim de semana de 21 a 23 de agosto. O contrato de Zandvoort com a Formula One Management expira ao final de 2026, e o promotor local optou por não renová-lo, sem que uma volta futura da prova ao calendário tenha sido confirmada até o momento. É esse horizonte fechado que dá o tom às duas últimas edições, tratadas pelos próprios organizadores como um ponto final planejado, e não como uma saída forçada pelas circunstâncias.
Foi justamente essa leitura que o diretor do Grande Prêmio, Robert van Overdijk, resumiu ao anunciar o desfecho do acordo: “Decidimos sair em alta com mais dois incríveis Grandes Prêmios da Holanda em 2025 e 2026.”



