O Brasil caiu cedo na VNL masculina de vôlei 2026 porque tropeçou justamente nos jogos que decidiam a vaga entre os oito melhores. A seleção comandada por Bernardinho fechou a fase preliminar em 9º lugar, com sete vitórias e cinco derrotas, e ficou fora das quartas de final pela primeira vez desde que o torneio foi criado, em 2018. Agora o grupo treina em Saquarema (RJ) antes de embarcar para amistosos no Japão e para a FIPAV Cup, na Itália.
A eliminação foi confirmada em 19 de julho, na última semana da fase de grupos, disputada em Chicago, nos Estados Unidos. O Brasil ainda tinha chance matemática de classificação quando entrou em quadra contra a China, mas a combinação de resultados jogou contra a equipe: a vitória da Bulgária sobre os Estados Unidos, horas antes, já havia fechado a conta e tirado o Brasil do grupo dos oito times classificados para o mata-mata. O confronto com os chineses virou, na prática, um amistoso de luxo, vencido pelos brasileiros, mas sem valor esportivo para o objetivo da competição.
Na semana final, o time bateu a França, perdeu para Estados Unidos e Polônia e encerrou a participação batendo a China. Esse saldo consolidou o retrospecto de sete vitórias e cinco derrotas em doze partidas, insuficiente diante de seleções que também brigavam pelas últimas vagas do top 8.
Por que o ineditismo pesa tanto
Desde a estreia da Liga das Nações, em 2018, o Brasil nunca havia ficado de fora da fase final. A seleção terminou em 4º lugar em 2018 e em 2019, foi campeã em 2021, ficou em 6º em 2022 e em 2023, terminou em 7º em 2024 e conquistou o bronze em 2025, ao superar a Eslovênia na decisão do terceiro lugar, em Ningbo, na China. Ou seja, em todas as edições anteriores o time avançou ao menos até as quartas de final, com um título e uma medalha de bronze no meio do caminho. É esse histórico que torna a campanha de 2026 a pior da história do Brasil na competição, segundo o levantamento feito após a eliminação.
Bernardinho reconheceu publicamente que as críticas ao trabalho são legítimas e afirmou que a equipe precisa evoluir em muitas coisas para seguir confiando no processo. Para o treinador, a autocrítica interna já é maior do que qualquer cobrança externa, e o caminho passa por continuar fazendo o que precisa ser feito, em um processo que ainda é longo.
O que vem depois da eliminação
Encerrada a participação na VNL, o elenco retornou ao Rio de Janeiro e seguiu para Saquarema, onde treina no Centro de Desenvolvimento do Voleibol Enel Brasil de terça-feira, 21 de julho, até 16 de agosto. Da base fluminense, a delegação viaja ao Japão para dois amistosos contra a seleção anfitriã, ainda sem data oficial divulgada pela Confederação Brasileira de Voleibol. Na sequência, o destino é a Itália, para disputar a FIPAV Cup Men Elite, torneio que reúne também Itália, Cuba e Alemanha. Depois, há ainda dois amistosos marcados contra a França, em Paris, adversário que também caiu na fase preliminar da VNL.
Esse giro internacional funciona como preparação direta para o Campeonato Sul-Americano, previsto para setembro no Maracanãzinho, no Rio, competição que distribui vaga olímpica e passou a ter peso redobrado depois do tropeço na Liga das Nações. A programação foi confirmada pela própria CBV como parte do plano de reconstrução da equipe até lá.
Enquanto a seleção corre atrás da reação em quadras internacionais, o calendário do vôlei nacional segue seu curso à parte: quem quiser saber quando começa a próxima Superliga já pode se programar, já que boa parte dos convocados de Bernardinho também atua pelos clubes que disputam o torneio.
O desafio agora é técnico e também psicológico. Uma seleção acostumada a brigar por medalhas em praticamente todas as edições da VNL precisa reconstruir a confiança em pouco tempo, com amistosos que valem como laboratório e um Sul-Americano que, pela primeira vez em anos recentes, carrega a pressão extra de garantir presença olímpica em vez de apenas confirmar uma vaga já esperada.



