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Por que uma partida de tênis tem 5 ou 3 sets?

Entenda por que o tênis masculino joga melhor de cinco sets nos Grand Slams e o feminino disputa melhor de três, e se isso pode mudar.

por Rafael Mendes 19 de julho de 2026 4 min de leitura
Leylah Fernandez rebate a bola em partida de duplas em Wimbledon 2024

Leylah Fernandez em ação durante partida de duplas em Wimbledon 2024. Foto: Bonoahx/Wikimedia Commons (CC0)

Quantos sets tem uma partida de tênis? A resposta depende de duas coisas: o torneio e o gênero da chave. Nos quatro Grand Slams do calendário, o simples masculino é disputado em melhor de cinco sets, com o primeiro a fechar três sets levando o jogo. Já o simples feminino, assim como praticamente todas as outras chaves do circuito, vai até o melhor de três, decidido por quem vencer dois sets primeiro. A dúvida aparece toda vez que um jogo se arrasta por horas em Wimbledon ou no US Open, e vale a pena entender de onde vem essa diferença.

A regra oficial nos quatro Grand Slams

A definição está escrita no regulamento anual que a ITF publica para orientar os quatro majors. Segundo o 2026 Official Grand Slam Rule Book, Wimbledon, US Open, Australian Open e Roland Garros seguem o mesmo formato: chave de simples masculina em melhor de cinco sets, chave de simples feminina em melhor de três. As duplas, masculinas, femininas e mistas, também jogam em três sets nos quatro torneios, o mesmo padrão aplicado às mulheres no simples.

Por que o masculino joga cinco sets e o feminino três

Não existe hoje um argumento técnico que sustente essa diferença fora da tradição. A explicação é histórica. O tênis organizado nasceu em Wimbledon em 1877, com um torneio exclusivamente masculino decidido em cinco sets. As mulheres só passaram a competir oficialmente a partir de 1884, e desde a estreia disputaram três sets. A justificativa da época girava em torno de uma suposta resistência física menor das jogadoras, ideia que o próprio tênis atual contesta, já que atletas como Iga Swiatek e Aryna Sabalenka disputam temporadas tão longas e desgastantes quanto as dos homens. A diferença sobreviveu porque nunca foi formalmente revista pela ITF.

Fora dos Slams, ATP e WTA jogam no mesmo formato

Um detalhe que confunde muita gente: fora dos quatro majors, o circuito masculino também joga em melhor de três sets. Um Masters 1000 da ATP, um ATP 500 ou um torneio de nível equivalente na WTA seguem exatamente a mesma estrutura. Ou seja, o melhor de cinco é uma particularidade exclusiva das chaves masculinas de simples nos quatro Grand Slams, não uma regra geral do tênis masculino profissional. Fora das grandes decisões de Slam, homens e mulheres disputam o mesmo número máximo de sets.

O tie-break de 10 pontos no set decisivo

Outra mudança recente ajuda a entender o formato atual. Desde 2022, os quatro Grand Slams adotaram uma regra única para os sets que decidem a partida: quando o placar de games chega a 6 a 6 no quinto set do masculino ou no terceiro set do feminino, joga-se um tie-break estendido até 10 pontos, com vantagem mínima de dois pontos, em vez de seguir o jogo indefinidamente por games. A mudança veio depois de partidas históricas que se arrastaram por dezenas de games, como a semifinal de Wimbledon de 2018 entre John Isner e Kevin Anderson, decidida por 26 a 24 no quinto set sob a regra antiga. A padronização está descrita nas notas oficiais da ITF sobre os Grand Slams.

Um exemplo recente: a final de Wimbledon 2026

A final masculina de Wimbledon 2026 ilustra bem o que o melhor de cinco sets provoca na prática. Jannik Sinner bateu Alexander Zverev por 6-7(7), 7-6(2), 6-3 e 6-4, numa partida de quase quatro horas que só se resolveu no quarto set, como A Hora do Esporte já contou em detalhes. Do outro lado da chave, a final feminina foi disputada, como manda a regra, em melhor de três sets: Linda Noskova superou Karolina Muchova por 6-2, 5-7 e 6-3 para levar o título, encerrando a campanha que colocou duas tchecas na decisão. Dois formatos diferentes, dois jogos igualmente disputados até o fim.

Existe perspectiva de mudança?

A discussão sobre igualar o formato não é nova e volta sempre que uma partida masculina se estende demais ou quando o debate sobre premiação igualitária esquenta. Apenas a ITF tem autoridade para alterar a regra dos Grand Slams, e qualquer mudança exigiria estudos e aprovação formal do Conselho dos Grand Slams. Nem sempre as posições são consistentes dentro do próprio circuito. Em 2020, após vencer Diego Schwartzman nas ATP Finals, em Londres, Novak Djokovic declarou à imprensa: “I am more of a proponent of best-of-three sets everywhere” (seria mais a favor do melhor de três sets em todos os lugares, em tradução livre), argumentando que a temporada do tênis já é a mais longa entre os grandes esportes. Anos depois, o próprio sérvio voltou a defender publicamente o valor do melhor de cinco sets nos Slams. Do lado feminino, executivas e ex-jogadoras como Billie Jean King já afirmaram que as atletas estariam dispostas a jogar cinco sets se a ITF decidisse mudar a regra. Até aqui, nenhuma alteração formal foi aprovada, e o formato segue valendo como referência para quem acompanha cada torneio do calendário ao longo da temporada.

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Sobre o autor

Rafael Mendes

Jornalista que cobre mercado, gestão e o circuito de tênis e MMA. Escreve guias e reportagens de contexto.

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