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Quarenta anos depois, o retrospecto entre Bélgica e Espanha ainda carrega a marca dos pênaltis de Puebla

Relembre a sequência completa dos pênaltis do jogo entre Bélgica e Espanha nas quartas de 1986, no México, que definiu a primeira semifinal de Copa do Mundo da história belga.

por Lucas Ferreira 10 de julho de 2026 4 min de leitura
Quarenta anos depois, o retrospecto entre Bélgica e Espanha ainda carrega a marca dos pênaltis de Puebla

Foto: Museo Archivo de la Fotografia / Gobierno CDMX, dominio publico (CC0), via Wikimedia Commons

Bélgica e Espanha entram em campo hoje, no SoFi Stadium, em Inglewood, na região de Los Angeles, pela primeira vez em uma Copa do Mundo desde 1990. Antes desse confronto de quartas de final da edição de 2026, porém, vale revisitar o duelo que definiu o primeiro capítulo dessa rivalidade: há exatos 40 anos, em 22 de junho de 1986, as duas seleções se enfrentaram também nas quartas de final de um Mundial, num jogo que se tornou referência obrigatória sempre que os dois times voltam a cruzar caminho no mata-mata.

Naquele dia, no Estádio Cuauhtémoc, em Puebla (México), Bélgica e Espanha protagonizaram um confronto equilibrado do início ao fim. Jan Ceulemans abriu o placar para os belgas com um cabeceio no fim do primeiro tempo, mas a Espanha buscou o empate perto do apito final, com um chute de fora da área do meio-campista Señor. O resultado de 1 a 1 levou a partida à prorrogação, que terminou sem gols e empurrou a decisão da vaga na semifinal para os pênaltis, um cenário raro até então na história das Copas.

Na cobrança de pênaltis, o goleiro belga Jean-Marie Pfaff se transformou em personagem central. Ele defendeu a única cobrança perdida da disputa, do atacante espanhol Eloy, e garantiu a vitória belga por 5 a 4, o placar que colocou a Bélgica pela primeira vez em uma semifinal de Copa do Mundo. É esse tipo de sequência, decidida cobrança a cobrança, que costuma virar dado de referência quando se fala em retrospecto entre duas seleções, e é justamente esse o ponto de partida desta análise.

A sequência completa dos pênaltis em Puebla

  1. Señor (Espanha): marcou
  2. Nico Claesen (Bélgica): marcou
  3. Eloy (Espanha): perdeu, Pfaff defendeu
  4. Enzo Scifo (Bélgica): marcou
  5. Chendo (Espanha): marcou
  6. Hugo Broos (Bélgica): marcou
  7. Butragueño (Espanha): marcou
  8. Patrick Vervoort (Bélgica): marcou
  9. Victor (Espanha): marcou
  10. Leo van der Elst (Bélgica): marcou a cobrança decisiva

Dos dez batedores que foram ao ponto de pênalti naquela tarde mexicana, apenas Eloy desperdiçou a sua chance. A eficiência quase perfeita (nove acertos em dez tentativas) ajuda a explicar por que aquele confronto ainda é lembrado como um dos duelos de pênaltis mais competitivos da história das quartas de final de Copas, decidido apenas na última cobrança, batida por um jogador que sequer havia começado a partida como titular.

O retrospecto entre as duas seleções em Copas do Mundo, aliás, é curto e concentrado justamente nesse período. Depois de 1986, Bélgica e Espanha voltaram a se encontrar apenas uma vez em Mundiais, na fase de grupos de 1990, também na Itália, quando a Espanha devolveu o resultado e venceu por 2 a 1, equilibrando a série geral em uma vitória para cada lado antes de as seleções passarem 36 anos sem se cruzar novamente em fase final de Copa. O jogo de hoje, portanto, é apenas o terceiro capítulo dessa história em Mundiais, o que reforça o peso simbólico de cada um desses encontros.

Passadas quatro décadas daquela tarde em Puebla, a partida de 1986 segue como o tipo de material que a seção de Análise & Dados deste site gosta de recuperar: um evento fechado, com números que não mudam e que ajudam a contextualizar o presente sem depender de opinião. Não é à toa que episódios como esse costumam aparecer ao lado de outros levantamentos históricos do futebol mundial, caso do retrospecto sobre os maiores artilheiros da história das Copas do Mundo, publicado recentemente aqui na Hora do Esporte.

Para o jogo de hoje, o histórico de 1986 não serve como prognóstico, até porque futebol raramente se repete de forma literal quatro décadas depois, com elencos, treinadores e contextos completamente diferentes dos daquela geração. Serve, isso sim, como lembrete de que decisões apertadas entre essas duas seleções já aconteceram antes, e que o caminho até uma vaga na semifinal de Copa do Mundo pode passar por detalhes tão finos quanto uma cobrança de pênalti bem colocada, como fez Leo van der Elst havia exatos 40 anos. Mais informações sobre aquele duelo, incluindo o desempenho de Pfaff no gol, estão disponíveis no acervo oficial da Fifa sobre a Copa de 1986.

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Sobre o autor

Lucas Ferreira

Analista esportivo especializado em tática e dados. Cobre futebol, basquete e automobilismo, traduzindo números em leitura de jogo.

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