sexta-feira, 9 de outubro de 2026 ÚltimasRegras do MMA: rounds, golpes proibidos e decisão
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Regras do MMA: rounds, golpes proibidos e decisão

Veja como funcionam os rounds, os golpes proibidos e os critérios dos juízes nas regras do MMA, da pontuação de dez pontos às punições do árbitro.

por Rafael Mendes 9 de outubro de 2026 4 min de leitura
Lutador de MMA aplicando golpes no solo durante combate no evento Total Combat, no Arizona (Foto de arquivo: luta de MMA amadora no Arizona (2005), usada apenas para ilustrar o esporte.)

Foto de arquivo: luta de MMA amadora no Arizona (2005), usada apenas para ilustrar o esporte. (Foto: Cpl. Giovanni Lobello Public domain (U.S. federal government work) via https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Mma_ground_fighting.jpg)

Em julho de 2024, a Association of Boxing Commissions (ABC), entidade que escreve e atualiza as Regras Unificadas de MMA usadas pelas comissões atléticas dos Estados Unidos e pela maioria das organizações da modalidade, aprovou a legalização de todas as cotoveladas descendentes aplicadas na trajetória conhecida como “12-6”, independentemente do ângulo em que fossem desferidas, revertendo uma proibição histórica que vigorava dentro das regras do MMA. A mudança entrou oficialmente em vigor em novembro daquele ano, alterando um dos capítulos mais discutidos sobre golpes proibidos no esporte. Até então, o golpe era tratado como falta grave sempre que aplicado na cabeça de um adversário caído.

A proibição revertida em 2024 não era uma cláusula qualquer para quem acompanha a carreira de Jon Jones. Foi exatamente essa regra que, em 2009, lhe custou a única derrota oficial de toda a carreira, decretada por desclassificação depois que ele aplicou cotoveladas descendentes contra Matt Hamill. A mesma cotovelada que o eliminou em 2009 passou a ser permitida pela nova redação das regras unificadas, quinze anos depois.

Os golpes proibidos nas regras do MMA

Fora o capítulo da cotovelada 12-6, a lista de infrações seguiu praticamente intacta. Golpes na nuca e na coluna, dedos nos olhos, chutes ou joelhadas na cabeça de um adversário caído, golpes nos genitais, mordidas, arranhões, ataques à garganta e o gesto de agarrar a grade da jaula continuam entre os golpes proibidos nas regras do MMA. Golpes aplicados depois do sinal que encerra o round também entram na mesma categoria de falta. A página oficial do UFC reforça esse mesmo conjunto de proibições, com desclassificação prevista para faltas graves ou para a combinação repetida de infrações menores, a critério do árbitro.

A reação do árbitro a uma falta varia de acordo com a gravidade do golpe. Infrações leves ou claramente acidentais costumam resultar apenas em advertência verbal, sem qualquer prejuízo no placar. Já quando o golpe ilegal compromete a integridade física do adversário ou se repete após um aviso, a punição sobe para dedução de pontos, e violações intencionais ou graves levam à desclassificação imediata. Há ainda o cenário em que o golpe ilegal impede a continuidade da luta sem que exista um vencedor claro, hipótese em que o resultado é declarado sem decisão, o chamado “no contest”; nesses casos, uma avaliação médica pode interromper o combate, e, se o lutador atingido não puder continuar, a luta é encerrada.

Outra mudança aprovada pela ABC na mesma revisão de 2024 redefiniu o que conta como lutador “no chão”. Antes, era preciso ter uma mão no solo mais outra parte do corpo para ser considerado caído; agora, basta qualquer parte do corpo, exceto mãos e pés, tocar o chão. A diferença parece técnica, mas é decisiva na prática, porque chutes e joelhadas na cabeça de um oponente caído seguem proibidos, e a nova definição amplia as situações em que esse tipo de golpe deixa de ser permitido. O detalhe foi tratado, segundo o Terra Esportes, como parte de um pacote de mudanças de regras importantes que passou a valer a partir de novembro de 2024.

Como os juízes decidem a luta

Quando a luta chega ao limite de rounds sem finalização, a decisão cai nas mãos dos juízes, que usam o sistema de dez pontos obrigatórios: o vencedor de cada round recebe dez pontos e o derrotado recebe nove ou menos, exceto nos raros rounds empatados em dez a dez. Um round decidido por margem apertada, com mais golpes efetivos de striking ou de grappling para um dos lados, costuma ser fechado em dez a nove. Os critérios seguem uma ordem fixa: striking e grappling efetivos vêm primeiro, agressividade efetiva é o critério secundário, e o controle do ringue ou da jaula só entra em jogo quando os demais estão equilibrados.

Já o dez a sete, a pontuação mais desequilibrada possível sem interromper o combate, só aparece quando um lutador domina o round de forma quase absoluta, seja no striking, seja no grappling, e coloca o rival em perigo real durante aquele intervalo de tempo. Para entender o contexto em que essas regras de pontuação valem, veja o guia sobre as categorias do UFC e suas doze divisões.

Para quem defendeu a mudança na definição de lutador caído, o ganho está na clareza que a nova redação entrega. Como resumiu o dirigente de arbitragem Andy Foster sobre a antiga confusão em torno da regra, “Knowing is safer. Creating a false sense of security, where one fighter thinks his fingers keep him from being kneed and the other fighter doesn’t, that’s not safe.”

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Sobre o autor

Rafael Mendes

Jornalista que cobre mercado, gestão e o circuito de tênis e MMA. Escreve guias e reportagens de contexto.

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