Jefferson Savarino balançou a rede pela terceira vez na noite de quarta-feira, consumando um hat-trick que devolveu ao Fluminense a terceira colocação do Campeonato Brasileiro. A vitória por 4 a 0, construída diante da própria torcida no Maracanã, pela 29ª rodada da competição, transformou uma partida de rotina em um capítulo de redenção pessoal para o atacante venezuelano, que até aquele momento vinha sendo alvo de críticas da arquibancada por conta da falta de gols que se arrastava desde a primeira metade do ano. Savarino chegava àquela quarta-feira pressionado justamente pela ausência de participação direta nas finalizações da equipe, um incômodo que a torcida tricolor deixava transparecer a cada vez que o venezuelano tocava na bola sem concluir as jogadas.
O primeiro gol da sequência saiu aos 29 ou 30 minutos do primeiro tempo, depois que o goleiro Pedro Rangel reclamou de perda de tempo e concedeu, com isso, o escanteio que originou a jogada; a bola desviou em Rodrigo Moledo antes de sobrar para Savarino completar para as redes, abrindo o placar em uma sequência que combinou sorte e oportunismo. A reclamação do arqueiro coritibano, somada à cobrança de escanteio que se seguiu, acabou funcionando como o estopim que o Fluminense precisava para romper a resistência organizada que o Coritiba vinha sustentando até então na partida. A partir daí, o venezuelano assumiu o protagonismo da partida, repetindo a dose mais duas vezes ao longo do segundo tempo e fechando a noite com os três primeiros gols do Fluminense na goleada, uma sequência de eficiência que colocou fim, de uma só vez, à cobrança que pesava sobre seus ombros desde o início da temporada.
Savarino encerrava, com aquela atuação, um jejum de quase cinco meses sem balançar as redes, período em que a cobrança da torcida tricolor havia se tornado uma constante nas arquibancadas do Maracanã e alimentava questionamentos sobre a permanência do venezuelano entre os titulares. Quando foi substituído ainda no segundo tempo, recebeu uma salva de aplausos dos presentes, um gesto que soou como reconhecimento depois de tantas críticas anteriores, e que selou, simbolicamente, o fim daquela fase de seca ofensiva que havia incomodado tanto o jogador quanto a comissão técnica.
Lucho Acosta fechou a conta em 4 a 0 ainda no segundo tempo, consolidando uma goleada que teve números expressivos e que deixou claro o domínio tricolor do primeiro ao último minuto: o Fluminense ficou com 69% de posse de bola durante os noventa minutos, enquanto o Coritiba terminou a partida sem um único chute no gol. O público no Maracanã foi de 15.056 pessoas, que acompanharam de perto a atuação decisiva de Savarino e viram, ao vivo, o momento em que o jejum do atacante chegou ao fim.
Com o resultado, o Fluminense chegou aos 51 pontos e subiu para a terceira posição da tabela, agora a dez pontos do líder Flamengo, uma distância que ainda separa o time das pretensões de título, mas que não diminui a relevância da terceira colocação a esta altura do campeonato. O Coritiba, por sua vez, permaneceu na nona colocação, com 38 pontos, mas ainda mantém uma margem de sete pontos sobre a zona de rebaixamento, mesmo depois de sofrer sua segunda goleada consecutiva sem marcar gols no campeonato, já que havia perdido por 5 a 0 para o Vasco na rodada anterior.
A sequência de resultados negativos expõe a fragilidade recente da equipe paranaense, que chega ao duelo com o Botafogo, marcado para 12 de outubro no Couto Pereira, precisando reverter uma má fase que já soma duas derrotas pesadas seguidas. Do outro lado, o Fluminense encara o Flamengo em um clássico que acontece já no dia 11 de outubro, novamente no Maracanã, pela 30ª rodada do Brasileirão.
Depois da partida, Savarino falou sobre o momento que viveu antes de retomar a boa forma e resumiu a fase em poucas palavras ao Premiere: “Todo jogador passa por fase ruim, mas nunca vamos deixar de trabalhar.”



