Kimi Antonelli tem 19 anos e já reescreveu boa parte do livro de recordes de precocidade da Fórmula 1. Em pouco mais de quatro meses de temporada 2026, o italiano da Mercedes se tornou o pole mais jovem da história, o segundo vencedor mais jovem de sempre e o líder de campeonato mais precoce que a categoria já viu. Um levantamento próprio, cruzando dados oficiais da F1 com o histórico de cada marca anterior, mostra exatamente quanto Antonelli tirou de cada recordista e o que ainda falta para ele se tornar também o campeão mundial mais jovem de todos os tempos.
Nascido em 25 de agosto de 2006, Antonelli estreou na F1 em 2025 defendendo a Mercedes no lugar de Lewis Hamilton. A temporada de estreia, porém, ficou marcada por altos e baixos típicos de um novato. Foi só na segunda temporada na categoria, a de 2026, que os recordes de idade começaram a cair, um atrás do outro.
Os recordes que Antonelli já confirmou
Pole mais jovem da história. No GP da China, em 14 de março, Antonelli cravou a pole aos 19 anos e seis meses. Ele tirou o recorde de Sebastian Vettel, que havia sido o pole mais jovem aos 21 anos, dois meses e 11 dias, no GP da Itália de 2008, marca que resistiu por quase duas décadas.
Segundo vencedor mais jovem de sempre. Um dia depois, ainda em Xangai, Antonelli converteu a pole em vitória e se tornou o segundo piloto mais jovem a vencer um GP na história, atrás apenas de Max Verstappen, que arrancou seu primeiro triunfo aos 18 anos e 228 dias, no GP da Espanha de 2016. O recorde de Verstappen segue de pé, e provavelmente vai continuar assim: hoje a FIA exige idade mínima de 18 anos para conceder a superlicença de F1.
Líder de campeonato mais jovem da história. Duas semanas depois, no GP do Japão, em 29 de março, Antonelli venceu pela segunda vez seguida e assumiu a ponta do Mundial de Pilotos aos 19 anos, sete meses e quatro dias. A marca anterior era de Lewis Hamilton, que liderou o campeonato pela primeira vez aos 22 anos, quatro meses e seis dias, em 2007, justamente o piloto que Antonelli substituiu na Mercedes.
Há ainda um recorde bônus, menos falado mas igualmente revelador do nível de Antonelli: no GP de Mônaco, em 7 de junho, ele fez a pole, venceu de ponta a ponta e cravou a volta mais rápida da corrida, o chamado Grand Slam. Aos 19 anos, tornou-se o mais jovem a completar o feito, batendo o recorde que era de Verstappen desde o GP da Áustria de 2021.
O que Toto Wolff diz sobre o fenômeno
Para o chefe da Mercedes, o que chama atenção em Antonelli não é só a velocidade. Wolff afirmou recentemente que “todo mundo ama um piloto rápido. E quando esse piloto também é um bom ser humano, uma pessoa que apoia a equipe e que nunca tem uma palavra ruim a dizer, é claro que é como tirar a sorte grande”. Segundo o dirigente austríaco, Antonelli quebra a lógica antiga da Fórmula 1 de que só se vence sendo implacável.
A frieza dentro do carro tem reflexo direto na tabela. Depois do GP da Hungria, vencido por Lando Norris, com Verstappen em segundo e o próprio Antonelli em terceiro, o italiano segue na ponta do campeonato com 219 pontos, 50 à frente de Hamilton e 59 à frente do companheiro George Russell. Mesmo em um trecho de temporada com mais problemas de confiabilidade no carro da Mercedes, ele continua sendo o principal destaque da equipe alemã na temporada, segundo um balanço recente da cobertura da F1 2026.
Falta só o maior recorde de todos
Resta a marca mais cobiçada da categoria: campeão mundial mais jovem da história. Ela pertence a Sebastian Vettel desde 14 de novembro de 2010, quando o alemão fechou o título no GP de Abu Dhabi aos 23 anos e 134 dias. Se Antonelli confirmar a liderança até o fim de 2026, ele deve cravar o título com pouco mais de 20 anos, o que tornaria o recorde de Vettel história antiga.
Com nove corridas ainda no calendário depois de Budapeste, o italiano de 19 anos tem tempo de sobra para transformar essa possibilidade em mais um capítulo de uma temporada que já entrou para a história antes mesmo de terminar.



