O Mineirão volta a receber, na noite de 25 de agosto, um capítulo decisivo da rivalidade mais antiga do estado, quando Atlético-MG e Cruzeiro entram em campo pelo jogo de ida das quartas de final da Copa do Brasil, às 21h, com a volta marcada para a Arena MRV uma semana depois, em 1º de setembro, também às 21h, num confronto que a CBF definiu em sorteio realizado no dia 11 daquele mesmo mês de agosto. É a primeira vez, em 2026, que os rivais se cruzam fora do Campeonato Mineiro, depois de terem decidido o título estadual poucos meses antes. Não é a primeira vez que os dois rivais se encontram justamente nessa fase da competição: há exatamente um ano, o Atlético foi eliminado da Copa do Brasil pelo próprio Cruzeiro nas quartas de final, resultado que agora se repete como pano de fundo para o novo confronto entre os times. Naquela ocasião, o Cruzeiro venceu por 2 a 0 na Arena MRV e repetiu o placar no jogo de volta, dentro do Mineirão, fechando a eliminação do rival sem sequer permitir um gol do adversário nas duas partidas. O revés carregou um símbolo particular para o torcedor atleticano: aquela derrota marcou a estreia de Jorge Sampaoli em sua segunda passagem à frente do time, apresentado dias antes, em 6 de setembro de 2025, e que ficaria no cargo até o início de fevereiro de 2026.
O histórico recente entre os rivais, porém, não aponta para um domínio unilateral. Nos últimos dez clássicos disputados entre as equipes, o retrospecto geral mostra 4 vitórias do Atlético, 3 do Cruzeiro e 3 empates, com 11 gols marcados pelo Galo contra 8 sofridos. Esse número, no entanto, considera partidas realizadas em ambos os estádios, o que o diferencia do recorte específico feito apenas dentro do Mineirão, onde a vantagem do visitante costuma ser ainda mais evidente. O ano de 2026 já reservou dois capítulos dessa disputa pelo Campeonato Mineiro: em 25 de janeiro, o Atlético venceu por 2 a 1 na Arena MRV, e em 8 de março o Cruzeiro devolveu o resultado ao bater o rival por 1 a 0 no Mineirão, na decisão do estadual, a última vez em que os dois times se enfrentaram valendo um título.
É justamente dentro do Mineirão, palco do jogo de ida das quartas, que o retrospecto favorece o visitante. Nos últimos dez confrontos disputados naquele estádio, o Atlético venceu 5, empatou 3 e perdeu apenas 2, um aproveitamento de 60% jogando fora de casa. O número se aproxima do desempenho que o próprio Atlético teve como mandante na Arena MRV ao longo de 2025, quando somou 61% de aproveitamento diante da própria torcida, um patamar semelhante ao que costuma reproduzir justamente no estádio do rival, como se o Mineirão funcionasse quase como uma extensão do próprio mando de campo do Galo diante do Cruzeiro. A campanha do Atlético até chegar às quartas de final passou pela eliminação do Ceará, na quinta fase, e do Juventude nas oitavas, com derrota de 0 a 0 fora de casa e vitória por 1 a 0 diante da própria torcida. A classificação também tem peso financeiro: a passagem às quartas rendeu ao clube mais R$ 4 milhões, elevando para R$ 9 milhões o total arrecadado pelo Atlético na Copa do Brasil deste ano. Quem sair vitorioso do clássico mineiro vai enfrentar, na semifinal, o vencedor do confronto entre Grêmio e Internacional.
Comandado atualmente pelo técnico argentino Eduardo Domínguez, o Atlético chega para mais um duelo eliminatório contra o rival estadual depois de uma campanha marcada por reviravoltas na Copa do Brasil. Do outro lado, o Cruzeiro também trata o confronto com cautela. Um dos jogadores do elenco, o goleiro Otávio, resumiu a expectativa em torno do clássico: “É um jogo de detalhe. Um jogo que pode ser uma classificação, que pode ser definido no detalhe”
, disse o arqueiro, ao projetar a decisão diante do rival, segundo o site O Tempo.



