A seleção brasileira feminina de vôlei fechou a fase classificatória da Liga das Nações (VNL) 2026 com uma derrota dolorosa. No último compromisso da primeira fase, em Osaka, no Japão, o Brasil caiu diante dos Estados Unidos por 3 sets a 0, com parciais de 26/24, 25/22 e 25/16, na madrugada de domingo (12), horário de Brasília. O resultado não tirou a vaga nas quartas de final, já garantida antes da rodada, mas deixou uma marca que vai além do placar: a central Júlia Kudiess rompeu o ligamento cruzado anterior (LCA) do joelho esquerdo durante a partida e está fora do restante da competição.
Segundo o site oficial da Volleyball World, entidade que organiza a VNL, Estados Unidos, Brasil e Itália confirmaram as primeiras vagas na fase final, que acontece em Macau, na China, entre os dias 22 e 26 de julho. Com nove vitórias e três derrotas em doze jogos, somando 26 pontos, o Brasil fechou a fase de grupos na terceira colocação, atrás dos Estados Unidos (dez vitórias, 29 pontos) e da Itália (dez vitórias, 28 pontos).
O momento da lesão de Kudiess
A lesão aconteceu no segundo set da partida contra as americanas. Kudiess subiu para bloquear um ataque de Jordan Thompson e, ao aterrissar, pisou no pé de Ana Cristina, sua companheira de time. Exames de imagem realizados logo após o jogo confirmaram a ruptura do LCA no joelho esquerdo, e a jogadora já retornou ao Brasil para dar sequência à avaliação médica e se preparar para a cirurgia, que deve ocorrer em Belo Horizonte.
Em publicação nas redes sociais, a central de 23 anos lamentou o momento. “Difícil acreditar que isso aconteceu de novo. Justo no momento em que eu estava vivendo uma das fases mais felizes da minha vida”, escreveu. Kudiess também deixou um recado sobre a recuperação: “Eu vou dar o meu melhor, como sempre dei. E, quando chegar a hora, eu vou voltar. Mais forte, mais madura e ainda mais grata por poder fazer o que eu amo.”
Essa é a terceira lesão grave no joelho da carreira da jogadora, e a segunda ruptura de ligamento cruzado. Em 2024, ela já havia rompido o LCA do joelho direito durante a própria VNL daquele ano, o que a tirou dos Jogos Olímpicos de Paris. A recuperação para esse tipo de cirurgia costuma levar cerca de oito meses, prazo que também comprometeria boa parte da próxima temporada de clubes, na qual Kudiess defenderá a Igor Gorgonzola Novara, da Itália.
Ana Cristina, maior pontuadora do Brasil na partida contra os Estados Unidos com 18 pontos, avaliou o desempenho da equipe após o revés. “A gente sabe da qualidade que os Estados Unidos têm, sempre são jogos muito acirrados. Mas eu acho que elas foram um pouco superiores, principalmente no saque e na parte de bloqueios”, disse. “A gente teve um pouco mais de dificuldade no passe e também na parte decisiva, de ataque. Mas é algo que a gente está construindo, é algo que a gente está trabalhando. Vamos focar bastante nesta semana para que possamos chegar à fase final da melhor maneira possível.”
Japão nas quartas, com retrospecto muito favorável ao Brasil
Definidas as posições da fase de grupos, o cruzamento das quartas de final colocou o Brasil diante do Japão, sexto colocado na classificação geral, com oito vitórias, quatro derrotas e 21 pontos. O jogo está marcado para quarta-feira, dia 22 de julho, às 8h30 (horário de Brasília), em Macau. Quem avançar enfrenta na semifinal, prevista para 25 de julho, o vencedor de Itália x Holanda, confronto que abre a chave às 5h do mesmo dia, também em Macau.
O retrospecto entre as duas seleções na Liga das Nações favorece amplamente o Brasil. Desde a criação do torneio, em 2018, Brasil e Japão já se enfrentaram dez vezes pela competição, com nove vitórias brasileiras e apenas um triunfo japonês, justamente na semifinal de 2024, em Bangkok, quando as anfitriãs da atual fase final venceram por 3 sets a 2 (26/24, 20/25, 25/21, 22/25 e 15/12). Na reedição do confronto, na semifinal da VNL 2025, o Brasil devolveu o resultado com outra vitória de virada, também por 3 a 2.
A vitória mais recente da série, aliás, reforça ainda mais o favoritismo brasileiro para as quartas: as duas seleções já se enfrentaram nesta própria edição da VNL, na fase de grupos, no dia 8 de julho, também em Osaka. O Brasil venceu por 3 sets a 1 (25-20, 19-25, 25-19, 25-23), com Julia Bergmann anotando 21 pontos e Ana Cristina 19. Na ocasião, quem se destacou no bloqueio foi justamente Júlia Kudiess, com 13 pontos e cinco bloqueios de bola, hoje o principal desfalque do time para o mata-mata que se aproxima.
Apesar do retrospecto favorável, a comissão técnica não pode subestimar as japonesas, que eliminaram o Brasil na semifinal da VNL 2024 e só perderam o título para a Itália na decisão daquele ano. A campanha do Brasil na reta final da fase classificatória já vinha sendo desfalcada por outras lesões, e a perda de Kudiess reduz ainda mais a rotação de centrais justamente na etapa mais dura da temporada.



