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Como funciona o ranking da ATP: pontuação por torneio

Entenda a janela móvel de 52 semanas, os pontos de cada torneio e por que Alcaraz pode perder posições sem jogar uma partida.

por Lucas Ferreira 17 de julho de 2026 4 min de leitura
Carlos Alcaraz em quadra de saibro durante partida em Roland Garros 2025, segurando a raquete e recebendo bolas do gandula

Foto: Martin Terrien, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

Todo fim de torneio a mesma dúvida aparece nas redes sociais: como um tenista sobe no ranking mesmo tendo perdido antes da final? A resposta está num mecanismo que poucos torcedores enxergam por trás da tabela de posições da ATP, uma contagem móvel de 52 semanas, alimentada por pontos que têm prazo de validade.

O ranking soma os pontos conquistados pelo jogador nos últimos 52 semanas, não no ano civil. Assim que uma edição de torneio completa um ano, os pontos daquela edição saem da conta automaticamente. O tenista só os mantém se repetir ou superar o resultado na edição seguinte. Esse “entra um, sai outro” explica saltos e quedas bruscas na tabela mesmo em semanas sem partida disputada.

Vale diferenciar esse ranking oficial da ATP Race, tabela paralela que zera todo dia 1º de janeiro e soma apenas os pontos da temporada em curso. É a Race, não o ranking de 52 semanas, que define os oito classificados ao ATP Finals em novembro.

Quantos pontos vale cada torneio

A hierarquia do calendário masculino define o valor de cada título. Um Grand Slam (Australian Open, Roland Garros, Wimbledon e US Open) entrega 2.000 pontos ao campeão, 1.300 ao vice e 800 ao semifinalista, com a régua caindo a cada rodada eliminada. Um Masters 1000, categoria dos nove torneios mais fortes fora dos Slams, paga 1.000 pontos ao vencedor, 650 ao finalista e 400 às semifinais. Desde 2009, oito desses nove Masters têm presença obrigatória para os tenistas mais bem colocados; só o Masters de Monte Carlo ficou de fora dessa exigência, o que faz dele o único da categoria que um top do ranking pode simplesmente pular sem risco de zerar o slot. Abaixo vêm os ATP 500 (500, 330 e 200 nas mesmas três fases) e os ATP 250 (250, 165 e 100), a base da temporada regular. Segundo as regras oficiais publicadas pela ATP, o ranking considera até 19 resultados: os quatro Slams e os Masters 1000 obrigatórios entram sempre na conta, e completam a lista os melhores resultados extras do jogador, incluindo o ATP Finals, torneio que fecha a temporada. Quem pula um desses eventos obrigatórios sem ficar de fora por lesão comprovada tem aquele resultado contado como zero pontos no cálculo, o que pesa mais do que simplesmente não disputar um torneio menor e opcional. A WTA segue lógica parecida, com janela de 52 semanas e pontuação por fase, ajustada ao seu próprio calendário.

O que acontece quando o tenista não defende pontos

Nenhum jogador é obrigado a repetir a agenda do ano anterior, mas quem falta a um torneio abre mão dos pontos daquela edição sem repor nada no lugar. É a situação de Carlos Alcaraz, que já perdeu seis torneios nesta temporada por lesão no punho, e agora carrega no ranking exatamente os pontos que precisa confirmar no calendário americano: 1.000 do título em Cincinnati e 2.000 do título no US Open do ano passado, 3.000 pontos ao todo. Se o punho o impedir de jogar essas duas semanas, o espanhol perde a soma inteira e cairia de 8.160 para 5.160 pontos, recuo que o empurraria ainda mais para trás na briga pelo topo do ranking.

É essa mecânica que hoje separa Jannik Sinner, número 1 do mundo, de Carlos Alcaraz na tabela atual: exatos 5.290 pontos, uma diferença maior que a soma de dois títulos de Grand Slam inteiros. Sinner chegou aos 13.450 pontos ao revalidar o título em Wimbledon sem perder nada da pontuação do ano anterior, já que também havia sido campeão em 2025. Entre os dois está Alexander Zverev, que ultrapassou Alcaraz e assumiu a segunda posição, com 8.480 pontos somados justamente ao aproveitar bem os pontos que tinha a defender em Londres.

O calendário agora deixa o saibro e a grama para trás e migra para as quadras rápidas dos Estados Unidos, trecho que tradicionalmente pesa na corrida rumo ao US Open, último Grand Slam do ano. É ali que Sinner, Alcaraz e Zverev têm o maior volume de pontos em jogo nas próximas semanas, o que deve mexer de novo na tabela publicada pela ATP Tour.

Entender essa lógica de 52 semanas ajuda a explicar por que um jogador machucado despenca no ranking mesmo sem perder partida nenhuma, e por que um título de Slam vale, sozinho, mais do que uma temporada inteira disputando torneios menores.

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Sobre o autor

Lucas Ferreira

Analista esportivo especializado em tática e dados. Cobre futebol, basquete e automobilismo, traduzindo números em leitura de jogo.

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