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Mbappé bate recorde da Copa; bronze é da Inglaterra

Mbappé chega a 22 gols em Copas e supera Messi, mas quem fica com o bronze é a Inglaterra, que vence a França por 6 a 4 em Miami.

por Lucas Ferreira 18 de julho de 2026 4 min de leitura
Kylian Mbappé, camisa 10 da França, em pé no gramado durante partida da Copa do Mundo de 2026, com torcida ao fundo.

Kylian Mbappé em campo pela França na Copa do Mundo de 2026. Foto: Bryan Berlin (WikiPortraits) / Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 4.0.

Kylian Mbappé entrou para a história das Copas do Mundo, mas quem levou o bronze para casa foi a Inglaterra. Em Miami, a seleção inglesa venceu a França por 6 a 4 na disputa pelo terceiro lugar do Mundial de 2026, num jogo que teve dez gols, hat-trick de Bukayo Saka e nenhum minuto de prorrogação. Ficou marcada como um dos resultados mais estranhos e divertidos de uma partida que, historicamente, ninguém quer jogar.

A Inglaterra abriu o placar cedo, com Declan Rice aos 3 minutos, e ampliou pouco depois com Ezri Konsa, aos 18. Ainda no primeiro tempo, Bukayo Saka balançou as redes duas vezes, aos 37 e aos 45+1, fechando a etapa inicial em 4 a 0 para os ingleses. Na segunda etapa, o atacante viraria de vez o protagonista da noite ao converter um pênalti aos 87 minutos para completar o hat-trick, decidindo a partida a favor da Inglaterra, que ainda contou com um gol de Jude Bellingham nos acréscimos finais.

Do lado francês, a resposta veio tarde. Mbappé descontou logo na volta do intervalo, aos 48 minutos, Bradley Barcola ampliou a reação aos 54, e Ousmane Dembélé anotou já nos acréscimos finais. Foi o próprio Mbappé quem fechou a conta francesa, marcando pela segunda vez aos 66 minutos — justamente o gol que mudou a forma como esta partida será lembrada. Segundo o relatório oficial da FIFA sobre o duelo pelo bronze, aquele lance deu a Mbappé o seu 22º gol em Copas do Mundo, um a mais do que os 21 que Lionel Messi havia acumulado ao longo de sua carreira em Copas do Mundo. Mbappé assumiu, ali, a artilharia histórica isolada dos Mundiais.

O gol do recorde também definiu a artilharia do Mundial. Mbappé e Messi chegaram empatados em oito gols na competição até o apito inicial da disputa pelo terceiro lugar; com o dobrete em Miami, o francês fechou o torneio com dez gols e vantagem de dois sobre o argentino, garantindo a Chuteira de Ouro mesmo sem disputar a decisão. Some-se isso aos doze gols que já tinha somado nas edições de 2018 e 2022, e o resultado é a marca de 22 gols que hoje o coloca sozinho no topo histórico da competição.

O feito tem peso simbólico redobrado porque o ranking de maiores artilheiros da história das Copas já havia sido revirado antes. Por quase duas décadas, quem liderava essa lista era o alemão Miroslav Klose, dono de 16 gols em quatro edições. Messi ultrapassou Klose e agora, pouco tempo depois, também foi superado. A trajetória completa do ex-recordista alemão está detalhada em matéria publicada no A Hora do Esporte sobre Klose e a artilharia histórica dos Mundiais.

Apesar do recorde individual, a noite não teve gosto de festa para os franceses. A França foi para o intervalo perdendo por 4 a 0, um primeiro tempo desorganizado que a seleção só amenizou parcialmente na etapa final: a reação puxada por Mbappé, Barcola e Dembélé produziu gols, mas não pontos.

Vale lembrar que o confronto já havia sido antecipado pelo site em cobertura própria antes da bola rolar, quando A Hora do Esporte trouxe o horário e o retrospecto do duelo entre as duas seleções pela terceira colocação.

Há ainda uma camada estatística que passou quase despercebida: os dez gols marcados em Miami tornaram esta a decisão de terceiro lugar mais movimentada da história das Copas do Mundo, superando por uma bola a marca anterior, que pertencia à vitória da França por 6 a 3 sobre a Alemanha Ocidental em 1958. Ou seja, o duelo entre franceses e ingleses não apenas coroou um novo artilheiro histórico, como também reescreveu o recorde de gols numa partida que, tradicionalmente, costuma ser burocrática e sem grande intensidade.

Para a Inglaterra, o terceiro lugar tem valor concreto depois de uma campanha que terminou nas semifinais diante da Argentina. Já para Deschamps, foi a despedida do cargo depois de quatorze anos à frente da seleção francesa, com Zinedine Zidane assumindo o comando rumo à Eurocopa de 2028. Mbappé, autor do gol mais falado do torneio, sai do Mundial com uma marca que dificilmente será alcançada tão cedo por outro jogador em atividade.

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Sobre o autor

Lucas Ferreira

Analista esportivo especializado em tática e dados. Cobre futebol, basquete e automobilismo, traduzindo números em leitura de jogo.

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