O Arsenal elevou mais uma vez sua proposta para tirar Bruno Guimarães do Newcastle, e desta vez a negociação parece ter entrado em outro estágio. Segundo informações da ESPN repercutidas nesta terça-feira (28), o clube londrino oferece agora 75 milhões de libras, cerca de R$ 512 milhões na cotação atual, divididos em 70 milhões fixos e 5 milhões em bônus por metas.
Pessoas ligadas à negociação descrevem otimismo pela primeira vez desde que o interesse do Arsenal se tornou público, com a possibilidade de um desfecho já na próxima semana. Bruno Guimarães, segundo a mesma apuração, ficou animado com os termos, mas não pretende forçar a saída caso o Newcastle continue resistindo.
A escalada de valores ajuda a entender por que o assunto virou novela no mercado europeu. Dias antes, o Arsenal já sinalizava disposição de superar os 70 milhões de libras em uma nova investida, patamar bem acima da oferta anterior, de 50 milhões de libras, que havia sido classificada como “ridícula” pelo clube do nordeste da Inglaterra, segundo apuração do jornalista Fabrizio Romano replicada pela Gazeta Esportiva.
Um dos entraves segue sendo financeiro além do valor de venda: o Lyon mantém 20% de mais-valia sobre qualquer transferência futura de Bruno, cláusula herdada da negociação que levou o volante à Inglaterra em 2022, por 50 milhões de euros. Ainda assim, o jogador segue como um dos favoritos da torcida e mantém boa relação com a diretoria, o que reduz o risco de um pedido formal de saída.
Outro fator pesa a favor do Arsenal: enquanto os Gunners garantiram vaga na próxima Champions League, o Newcastle ficou fora da competição nesta temporada, o que pode influenciar a decisão do brasileiro. O interesse, aliás, não é recente. O diretor esportivo Andrea Berta já havia tentado contratar o meio-campista em 2020, quando ainda comandava a área técnica do Atlético de Madrid, e hoje encontra em Mikel Arteta um aliado que cobra pessoalmente a conclusão do negócio, tal como fez recentemente na busca do clube por reforçar o ataque com outro alvo de peso no mercado, Vini Jr.
Os números ajudam a explicar a insistência. Desde que chegou da França, Bruno soma 195 partidas pelo Newcastle, com 31 gols e 32 assistências, produção alta para um volante e que o consolidou como capitão do time. Para dimensionar o tamanho do investimento em jogo, vale lembrar que o próprio Arsenal pagou 105 milhões de libras ao West Ham por Declan Rice em 2023, até hoje a contratação mais cara da história do clube; uma eventual compra de Bruno por 75 milhões ficaria abaixo desse teto, mas ainda representaria um dos maiores desembolsos do Arsenal em um único jogador.
Nem todos veem a insistência com bons olhos. Em análise recente, o ex-jogador irlandês Roy Keane alertou que o Arsenal corre o risco de desperdiçar a janela ao mirar um único nome, e defendeu o meio-campista Manu Koné, da Roma, como alternativa mais barata caso o Newcastle continue pedindo acima de 80 milhões de libras, conforme resumo publicado pela Trivela. Para Keane, isso não tira de Bruno o status de melhor opção disponível no mercado para a posição.
O contrato do brasileiro com o Newcastle ainda tem duas temporadas de duração, o que dá à diretoria inglesa margem para segurar o preço. Bruno vem de temporada movimentada: desperdiçou um pênalti na eliminação do Brasil na Copa do Mundo, na derrota por 2 a 1 para a Noruega nas oitavas de final, episódio que não abalou sua cotação no mercado. Resta saber se o Arsenal, depois de três propostas recusadas, vai finalmente destravar o negócio nos próximos dias.



