O Barcelona oficializou, em 29 de maio, a contratação do ponta inglês Anthony Gordon junto ao Newcastle United. O negócio pode chegar a 80 milhões de euros (69,3 milhões de libras) com bônus incluídos, e o jogador de 25 anos assinou contrato de cinco temporadas, válido até 2031. Gordon se tornou a primeira contratação do clube catalão anunciada para a temporada 2026/27, um sinal de prioridade num mercado em que o técnico Hansi Flick pedia reforços de velocidade e intensidade para o ataque.
Os números do negócio
Do valor total acertado entre os clubes, uma fatia de até 10 milhões de euros é variável e está dividida em duas frentes. A primeira depende de desempenho individual: o Newcastle recebe 1 milhão de euros a cada temporada em que Gordon atuar em mais de 60% das partidas do Barça, com teto de 5 milhões ao longo do vínculo de cinco anos. A segunda é coletiva, com outros 5 milhões condicionados a títulos relevantes conquistados pelo clube com o inglês em campo.
Há ainda um efeito colateral que passa longe da Catalunha. O Everton, clube que revelou Gordon e o vendeu ao Newcastle em janeiro de 2023 por até 45 milhões de libras, manteve à época uma cláusula de revenda de 15% sobre o lucro que os Magpies viessem a obter numa transferência futura do atleta. Segundo apuração do The Athletic, o negócio com o Barcelona ativa essa cláusula e deve render cerca de 3,8 milhões de libras aos cofres de Goodison Park. A esse valor ainda se soma um mecanismo de solidariedade da Fifa de cerca de 3 milhões de libras pela formação do atleta nas categorias de base do clube, elevando o retorno total do Everton a algo perto de 6,8 milhões de libras, um resultado tardio por um jogador formado nas próprias categorias de base.
O que Gordon acrescenta ao Barça
Em campo, Gordon chega como um ponta canhoto de velocidade acima da média, capaz de atuar aberto pelos dois lados do ataque e de se infiltrar entre as linhas para finalizar. É um perfil de jogador vertical, que ganha metros em transição rápida e sustenta pressão alta sobre a saída de bola adversária, características que conversam diretamente com o estilo que Flick tenta implantar no Barça desde que assumiu o time. A contratação também amplia as opções do técnico alemão numa frente de ataque que, historicamente, depende muito do desempenho de poucos nomes fixos.
A temporada que valorizou o inglês
O ano que antecedeu a venda ajuda a explicar o investimento. Gordon fechou 2025/26 com 17 gols em todas as competições pelo Newcastle, sendo 6 no Campeonato Inglês e 10 na Liga dos Campeões, uma marca que o transformou no segundo maior artilheiro do clube na história da competição continental, atrás apenas de Alan Shearer. Ele também se tornou o segundo jogador inglês a chegar a dois dígitos de gols numa única campanha de Champions, feito alcançado antes apenas por Harry Kane. Em fevereiro, marcou quatro gols no primeiro tempo da vitória por 6 a 1 sobre o Qarabağ, algo até então visto uma única vez na história da competição.
Um sonho de infância que virou contrato
Formado nas categorias de base do Liverpool antes de migrar para o Everton ainda garoto, Gordon costuma contar que aprendeu espanhol quando criança por acreditar que um dia jogaria pelo Barcelona, e usou o idioma nas primeiras entrevistas como jogador do clube. A negociação também chegou a ter concorrência de Bayern de Munique e Liverpool, mas o Barça se movimentou rápido para fechar cedo o primeiro grande nome da janela.
O caso se soma a outros movimentos recentes do mercado europeu, como a novela envolvendo Julián Álvarez e a disputa entre Barcelona e Real Madrid, e a negociação do Tottenham com o próprio Newcastle por Sandro Tonali. Mais detalhes sobre a apresentação de Gordon estão disponíveis no anúncio oficial do FC Barcelona. Para acompanhar outras movimentações da janela, acesse o hub de Futebol do A Hora do Esporte.



