Novak Djokovic subiu duas posições no ranking da ATP nesta semana sem disputar uma única partida desde 10 de julho, quando perdeu para Jannik Sinner na semifinal de Wimbledon. O sérvio voltou ao top 5 e ultrapassou Alex de Minaur e Ben Shelton por um motivo que não tem nada a ver com o que ele fez em quadra: os pontos que os dois rivais haviam somado ao vencer partidas no ATP de Washington de 2025 simplesmente venceram o prazo e saíram da conta.
O mecanismo é simples de entender, mas engana quem só olha o placar da semana. A ATP usa um sistema de pontuação corrida, quase sempre chamado de ranking rolante, que soma resultados das últimas 52 semanas exatas. A cada nova atualização da tabela, o torneio disputado há um ano cai fora da somatória, e o tenista só mantém aquela pontuação se repetir o resultado no ano seguinte. De Minaur foi campeão em Washington em 2025 e carregava 500 pontos daquele título, que sumiram assim que o torneio completou um ano de existência no calendário. Shelton também tinha pontos herdados daquela mesma semana e por isso perdeu posições. Djokovic, que não disputou Washington em nenhuma das duas últimas edições, não tinha nada a perder e por isso subiu de arrasto, sem levantar uma raquete.
Com essas mudanças, a ordem do topo do ranking ficou assim: Jannik Sinner segue disparado na liderança, com quase 5 mil pontos de vantagem sobre o segundo colocado, Alexander Zverev. Carlos Alcaraz aparece em terceiro, cerca de 320 pontos atrás do alemão, e Felix Auger-Aliassime ocupa a quarta posição, distante dos três primeiros. Djokovic fecha o quinteto de honra, hoje cerca de 980 pontos atrás do canadense, uma distância que ele precisaria fechar até o US Open caso queira evitar cruzar com Sinner ou Alcaraz antes de uma semifinal do torneio.
Para o sérvio de 39 anos, o momento tem um sabor particular. Ele havia chegado às quartas de final de Wimbledon batendo justamente Auger-Aliassime, o homem que hoje ocupa a vaga logo acima da dele no ranking, antes de cair diante de Sinner por 6/4, 6/4 e 6/4. Já são 18 dias sem entrar em quadra em uma partida oficial, e a dúvida sobre disputar o Masters 1000 de Cincinnati segue no ar. A prioridade declarada por sua equipe é chegar inteiro ao US Open, torneio no qual ele não tem pontos relevantes a perder este ano, já que não passou pelas quartas de final em 2025.
A subida também reforça uma marca que já era só dele. Ao completar sua 867ª semana entre os cinco primeiros do ranking, Djokovic amplia o recorde histórico da era aberta, à frente de Roger Federer (859 semanas) e Rafael Nadal (837). É um número que ajuda a explicar por que ele resiste tanto tempo perto do topo mesmo disputando cada vez menos torneios, e mostra como o mesmo sistema de pontuação por torneio que agora o beneficiou também já tirou pontos dele em outras janelas do calendário, como quando descartou a pontuação de uma final perdida em Roma e viu de uma hora para outra sua vantagem sobre perseguidores diretos encolher.
O quadro pode mudar de novo em poucas semanas. Enquanto Sinner, Zverev e Alcaraz ainda decidem se disputam os torneios norte-americanos que antecedem o US Open, o ranking segue reagindo a resultados de 2025 que vão expirando data após data. Foi o mesmo processo que, na semana anterior, tirou uma posição de João Fonseca sem que o brasileiro tivesse perdido uma única partida, como mostrou o próprio noticiário esportivo na ocasião. Ninguém precisa vencer nada para ganhar ou perder lugar no top 10 da ATP. Basta esperar o calendário girar mais uma volta.



