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Djokovic sobe ao 5º do ranking da ATP sem jogar

Djokovic volta ao top 5 da ATP sem jogar: pontos de De Minaur e Shelton em Washington 2025 expiraram e o sérvio subiu de arrasto.

por Rafael Mendes 28 de julho de 2026 3 min de leitura
Novak Djokovic caminha em quadra durante partida no Miami Open de 2025

Foto: Vbrunophotog, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

Novak Djokovic subiu duas posições no ranking da ATP nesta semana sem disputar uma única partida desde 10 de julho, quando perdeu para Jannik Sinner na semifinal de Wimbledon. O sérvio voltou ao top 5 e ultrapassou Alex de Minaur e Ben Shelton por um motivo que não tem nada a ver com o que ele fez em quadra: os pontos que os dois rivais haviam somado ao vencer partidas no ATP de Washington de 2025 simplesmente venceram o prazo e saíram da conta.

O mecanismo é simples de entender, mas engana quem só olha o placar da semana. A ATP usa um sistema de pontuação corrida, quase sempre chamado de ranking rolante, que soma resultados das últimas 52 semanas exatas. A cada nova atualização da tabela, o torneio disputado há um ano cai fora da somatória, e o tenista só mantém aquela pontuação se repetir o resultado no ano seguinte. De Minaur foi campeão em Washington em 2025 e carregava 500 pontos daquele título, que sumiram assim que o torneio completou um ano de existência no calendário. Shelton também tinha pontos herdados daquela mesma semana e por isso perdeu posições. Djokovic, que não disputou Washington em nenhuma das duas últimas edições, não tinha nada a perder e por isso subiu de arrasto, sem levantar uma raquete.

Com essas mudanças, a ordem do topo do ranking ficou assim: Jannik Sinner segue disparado na liderança, com quase 5 mil pontos de vantagem sobre o segundo colocado, Alexander Zverev. Carlos Alcaraz aparece em terceiro, cerca de 320 pontos atrás do alemão, e Felix Auger-Aliassime ocupa a quarta posição, distante dos três primeiros. Djokovic fecha o quinteto de honra, hoje cerca de 980 pontos atrás do canadense, uma distância que ele precisaria fechar até o US Open caso queira evitar cruzar com Sinner ou Alcaraz antes de uma semifinal do torneio.

Para o sérvio de 39 anos, o momento tem um sabor particular. Ele havia chegado às quartas de final de Wimbledon batendo justamente Auger-Aliassime, o homem que hoje ocupa a vaga logo acima da dele no ranking, antes de cair diante de Sinner por 6/4, 6/4 e 6/4. Já são 18 dias sem entrar em quadra em uma partida oficial, e a dúvida sobre disputar o Masters 1000 de Cincinnati segue no ar. A prioridade declarada por sua equipe é chegar inteiro ao US Open, torneio no qual ele não tem pontos relevantes a perder este ano, já que não passou pelas quartas de final em 2025.

A subida também reforça uma marca que já era só dele. Ao completar sua 867ª semana entre os cinco primeiros do ranking, Djokovic amplia o recorde histórico da era aberta, à frente de Roger Federer (859 semanas) e Rafael Nadal (837). É um número que ajuda a explicar por que ele resiste tanto tempo perto do topo mesmo disputando cada vez menos torneios, e mostra como o mesmo sistema de pontuação por torneio que agora o beneficiou também já tirou pontos dele em outras janelas do calendário, como quando descartou a pontuação de uma final perdida em Roma e viu de uma hora para outra sua vantagem sobre perseguidores diretos encolher.

O quadro pode mudar de novo em poucas semanas. Enquanto Sinner, Zverev e Alcaraz ainda decidem se disputam os torneios norte-americanos que antecedem o US Open, o ranking segue reagindo a resultados de 2025 que vão expirando data após data. Foi o mesmo processo que, na semana anterior, tirou uma posição de João Fonseca sem que o brasileiro tivesse perdido uma única partida, como mostrou o próprio noticiário esportivo na ocasião. Ninguém precisa vencer nada para ganhar ou perder lugar no top 10 da ATP. Basta esperar o calendário girar mais uma volta.

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Sobre o autor

Rafael Mendes

Jornalista que cobre mercado, gestão e o circuito de tênis e MMA. Escreve guias e reportagens de contexto.

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