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O que é o cinturão interino do UFC e quando ele surge

Gaethje virou campeão interino dos leves após ausência de Topuria. Entenda a regra que criou o título e o caminho até a unificação.

por Rafael Mendes 29 de agosto de 2026 4 min de leitura
Dois lutadores de MMA durante luta amadora em octógono, um aplicando golpe de cima em posição dominante sobre o oponente no chão (File photo: an amateur MMA cage bout used to illustrate the sport generally, not an actual UFC event or title fight.) (File photo: an amateur MMA cage bout used to illustrate the sport generally, not an actual UFC event or title fight.) (File photo: an amateur MMA cage bout used to illustrate the sport generally, not an actual UFC event or title fight.)

File photo: an amateur MMA cage bout used to illustrate the sport generally — not an actual UFC event or title fight. (Foto: Lance Cpl. Paul S. Martinez Public domain via https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Mixed-martial_arts_fights_heat_up_Combat_Center_140620-M-ZM882-066.jpg)

Justin Gaethje ergueu o cinturão interino dos leves do UFC na noite de 24 de janeiro de 2026, depois de vencer Paddy Pimblett por decisão unânime, resultado definido pelos mesmos critérios que regem como funciona a pontuação de uma luta no UFC, em um combate que se estendeu pelos cinco assaltos completos diante do público do T-Mobile Arena, em Las Vegas, e que confirmou, mais uma vez, a fama do americano de adversário quase impossível de nocautear.

O título só existia porque Ilia Topuria, dono do cinturão linear da categoria, estava indisponível por motivos pessoais, e é justamente esse tipo de ausência prolongada de um campeão sem poder defender a correia que leva o UFC a criar uma versão interina do título: a organização não tira de imediato o posto de quem está fora de combate, mas evita deixar a divisão inteira travada, criando uma correia provisória que mantém a categoria com um título em disputa mesmo enquanto o titular original segue afastado.

Como aconteceu em praticamente todos os casos anteriores, a expectativa que se abre agora é a de uma luta de unificação entre Gaethje e Topuria, encontro que colocaria frente a frente o campeão interino e o campeão linear para decidir quem fica com o cinturão indiscutível da categoria, já que Gaethje é apontado como o próximo desafiante nessa disputa, exatamente o desfecho que o próprio conceito de título interino foi desenhado para produzir.

Poucos lutadores, porém, chegaram a defender um cinturão interino antes de a unificação acontecer: apenas Renan Barão, Rodrigo Nogueira, Andrei Arlovski e Tom Aspinall estiveram nessa posição ao longo da história do UFC, um grupo restrito que mostra como esse tipo de reinado costuma ser breve, encerrado assim que o campeão linear volta a lutar ou perde o posto por outro motivo. Barão foi o único entre os quatro a defender a correia interina mais de uma vez, fazendo isso duas vezes em 2013, e depois foi promovido a campeão indiscutível quando o então titular linear da categoria dos galos acabou destituído do cargo; Nogueira defendeu o cinturão interino dos pesos-pesados em 2008 antes de perdê-lo por nocaute para Frank Mir, enquanto Arlovski já havia passado pela mesma posição em 2005.

O caso mais recente antes de Gaethje foi o de Tom Aspinall, que conquistou o cinturão interino dos pesos-pesados em novembro de 2023 depois que Jon Jones ficou impossibilitado de lutar por uma lesão no peitoral, defendeu a correia provisória ao nocautear Curtis Blaydes no UFC 304, em 28 de julho de 2024, em Manchester, e só deixou de ser interino em 22 de junho de 2025, quando o próprio presidente do UFC, Dana White, anunciou a aposentadoria de Jones e declarou o britânico campeão indiscutível dos pesos-pesados. É o precedente mais próximo do que o UFC deseja agora para os leves, com Gaethje ocupando o papel que Aspinall ocupou até virar campeão pleno sem nem precisar entrar no octógono contra o rival lesionado.

A multiplicação desses cinturões provisórios nos últimos anos está diretamente ligada à necessidade do UFC de sempre ter uma luta de título para encabeçar seus eventos pay-per-view, segundo a ESPN Brasil, e o número reflete essa mudança: o UFC já teve cerca de 20 lutas por título interino em toda a sua história, e mais da metade delas aconteceu a partir de 2014, justamente o período em que o negócio dos pay-per-views se tornou mais dependente de ter sempre um cinturão em jogo no topo do card.

A vitória sobre Pimblett, narrada em detalhe pelo Metrópoles, deixou Gaethje impressionado com a resistência do rival ao longo dos cinco assaltos, e o novo campeão interino resumiu a sensação em poucas palavras: “Não tem como nocautear esse cara. Meu Deus.”

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Sobre o autor

Rafael Mendes

Jornalista que cobre mercado, gestão e o circuito de tênis e MMA. Escreve guias e reportagens de contexto.

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