Kylian Mbappé entrou para a história das Copas do Mundo, mas quem levou o bronze para casa foi a Inglaterra. Em Miami, a seleção inglesa venceu a França por 6 a 4 na disputa pelo terceiro lugar do Mundial de 2026, num jogo que teve dez gols, hat-trick de Bukayo Saka e nenhum minuto de prorrogação. Ficou marcada como um dos resultados mais estranhos e divertidos de uma partida que, historicamente, ninguém quer jogar.
A Inglaterra abriu o placar cedo, com Declan Rice aos 3 minutos, e ampliou pouco depois com Ezri Konsa, aos 18. Ainda no primeiro tempo, Bukayo Saka balançou as redes duas vezes, aos 37 e aos 45+1, fechando a etapa inicial em 4 a 0 para os ingleses. Na segunda etapa, o atacante viraria de vez o protagonista da noite ao converter um pênalti aos 87 minutos para completar o hat-trick, decidindo a partida a favor da Inglaterra, que ainda contou com um gol de Jude Bellingham nos acréscimos finais.
Do lado francês, a resposta veio tarde. Mbappé descontou logo na volta do intervalo, aos 48 minutos, Bradley Barcola ampliou a reação aos 54, e Ousmane Dembélé anotou já nos acréscimos finais. Foi o próprio Mbappé quem fechou a conta francesa, marcando pela segunda vez aos 66 minutos — justamente o gol que mudou a forma como esta partida será lembrada. Segundo o relatório oficial da FIFA sobre o duelo pelo bronze, aquele lance deu a Mbappé o seu 22º gol em Copas do Mundo, um a mais do que os 21 que Lionel Messi havia acumulado ao longo de sua carreira em Copas do Mundo. Mbappé assumiu, ali, a artilharia histórica isolada dos Mundiais.
O gol do recorde também definiu a artilharia do Mundial. Mbappé e Messi chegaram empatados em oito gols na competição até o apito inicial da disputa pelo terceiro lugar; com o dobrete em Miami, o francês fechou o torneio com dez gols e vantagem de dois sobre o argentino, garantindo a Chuteira de Ouro mesmo sem disputar a decisão. Some-se isso aos doze gols que já tinha somado nas edições de 2018 e 2022, e o resultado é a marca de 22 gols que hoje o coloca sozinho no topo histórico da competição.
O feito tem peso simbólico redobrado porque o ranking de maiores artilheiros da história das Copas já havia sido revirado antes. Por quase duas décadas, quem liderava essa lista era o alemão Miroslav Klose, dono de 16 gols em quatro edições. Messi ultrapassou Klose e agora, pouco tempo depois, também foi superado. A trajetória completa do ex-recordista alemão está detalhada em matéria publicada no A Hora do Esporte sobre Klose e a artilharia histórica dos Mundiais.
Apesar do recorde individual, a noite não teve gosto de festa para os franceses. A França foi para o intervalo perdendo por 4 a 0, um primeiro tempo desorganizado que a seleção só amenizou parcialmente na etapa final: a reação puxada por Mbappé, Barcola e Dembélé produziu gols, mas não pontos.
Vale lembrar que o confronto já havia sido antecipado pelo site em cobertura própria antes da bola rolar, quando A Hora do Esporte trouxe o horário e o retrospecto do duelo entre as duas seleções pela terceira colocação.
Há ainda uma camada estatística que passou quase despercebida: os dez gols marcados em Miami tornaram esta a decisão de terceiro lugar mais movimentada da história das Copas do Mundo, superando por uma bola a marca anterior, que pertencia à vitória da França por 6 a 3 sobre a Alemanha Ocidental em 1958. Ou seja, o duelo entre franceses e ingleses não apenas coroou um novo artilheiro histórico, como também reescreveu o recorde de gols numa partida que, tradicionalmente, costuma ser burocrática e sem grande intensidade.
Para a Inglaterra, o terceiro lugar tem valor concreto depois de uma campanha que terminou nas semifinais diante da Argentina. Já para Deschamps, foi a despedida do cargo depois de quatorze anos à frente da seleção francesa, com Zinedine Zidane assumindo o comando rumo à Eurocopa de 2028. Mbappé, autor do gol mais falado do torneio, sai do Mundial com uma marca que dificilmente será alcançada tão cedo por outro jogador em atividade.



