Quem liga a TV num fim de semana de Fórmula 1 e vê a tabela de pontos mudar corrida após corrida costuma ter a mesma dúvida: por que o vencedor ganha 25 pontos num domingo e só 8 num sábado de sprint? A resposta está num sistema que a FIA desenha há anos para recompensar quem termina à frente sem tornar o título decidido cedo demais.
O momento é oportuno para destrinchar as regras. Neste fim de semana a Fórmula 1 está em Spa-Francorchamps para o GP da Bélgica, com treino livre e classificação no sábado, dia 18 de julho, e a corrida marcada para domingo, 19 de julho, às 15h no horário local. Vale um alerta: não há sprint em Spa neste ano, então todos os pontos do fim de semana saem só do domingo. Antonelli chega ao circuito belga tentando ampliar a vantagem que construiu na liderança do campeonato.
Como funciona a pontuação da corrida principal
O sistema vigente desde 2010 distribui pontos aos dez primeiros colocados de cada corrida, numa escala que despenca rápido no início e se estreita no fim: 25 pontos para o primeiro, 18 para o segundo, 15 para o terceiro, seguidos por 12, 10, 8, 6, 4, 2 e 1 ponto para quem cruza a linha em décimo. Do 11º lugar para trás, ninguém pontua. É a própria Fórmula 1 que confirma essa tabela em seu guia oficial de regras, e o mesmo número aparece no regulamento esportivo publicado pela FIA.
Até 2024 havia um detalhe extra: o piloto que registrasse a volta mais rápida da corrida, desde que terminasse entre os dez primeiros, ganhava um ponto a mais. A regra foi abandonada a partir de 2025, depois que estratégias como a de Singapura em 2024, quando equipes calcularam paradas só para roubar aquele ponto, expuseram a distorção que ela criava no fim das provas. Em 2026 o bônus continua fora do regulamento: a volta mais rápida rende prestígio, não pontos.
Como funciona a pontuação da sprint
Nos fins de semana com sprint, o sábado tem sua própria corrida curta, disputada em cerca de cem quilômetros, e também distribui pontos, só que para os oito primeiros: 8 para o vencedor, depois 7, 6, 5, 4, 3, 2 e 1 para o oitavo colocado. A diferença para a corrida de domingo é grande: vencer a sprint vale 17 pontos a menos do que vencer o Grande Prêmio, e esses pontos entram na mesma conta do campeonato de pilotos e do campeonato de construtores.
O formato nasceu em 2021, com a primeira sprint da história disputada em Silverstone, e chega a 2026 na sexta temporada seguida em uso. O calendário deste ano reserva seis fins de semana de sprint, Xangai, Miami, Montreal, Silverstone, Zandvoort e Cingapura, e até esta semana quatro deles já tinham sido disputados: Xangai em março, Miami em maio, Montreal também em maio e Silverstone no início de julho. Restam Zandvoort e Cingapura, ainda mais adiante no calendário.
Como isso decide os dois campeonatos
O campeão de pilotos é simplesmente quem termina a temporada com mais pontos somados entre corridas e sprints, sem playoff de final de ano. Em caso de empate, valem primeiro o número de vitórias, depois segundos lugares, e assim por diante. Já o campeonato de construtores soma os pontos das duas vagas de cada equipe, então um piloto isolado brilhando não garante o título por si só: a equipe precisa pontuar com os dois carros.
Na tabela atual, Kimi Antonelli lidera com 179 pontos, 25 à frente do companheiro George Russell, que soma 154, com Lewis Hamilton logo atrás, a 7 pontos de Russell, segundo o levantamento oficial da Fórmula 1 após o GP da Grã-Bretanha. Uma vitória isolada na corrida principal, sem nenhum sprint pelo caminho, ainda vale mais do que dois pódios de sprint somados, o que explica por que equipes seguem tratando o domingo como o verdadeiro campo de batalha do campeonato.



