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Antonelli chega a cinco poles e lidera a Fórmula 1

Com a pole em Silverstone, a quinta do ano, Antonelli se aproxima do recorde histórico de poles de um estreante e mantém vantagem sobre Russell antes da pausa até a Bélgica.

por Beatriz Rocha 14 de julho de 2026 4 min de leitura
Kimi Antonelli comemora com a equipe Mercedes na Fórmula 1 2026

Foto: Liauzh, CC BY 4.0, via Wikimedia Commons

A Fórmula 1 está de folga desde o GP da Grã-Bretanha, disputado em Silverstone, e o principal nome do primeiro terço da temporada de 2026 segue sendo Andrea Kimi Antonelli. Aos 19 anos, o italiano da Mercedes cravou a pole position do GP da Inglaterra com 1min28s111, batendo Charles Leclerc por apenas 0,175s e deixando George Russell, seu companheiro de equipe, em quarto. Foi a quinta pole de Antonelli em 2026, um número que já diz muito sobre o tamanho da estreia que ele está fazendo no grid.

Uma campanha de poles fora do comum

O piloto da Mercedes largou na frente cinco vezes neste início de temporada: no GP da China, em 15 de março, no GP do Japão, em 29 de março, no GP de Miami, em 3 de maio, no GP de Mônaco, em 7 de junho, e agora em Silverstone, em 4 de julho. Em quatro dessas cinco ocasiões, a pole virou vitória direta na corrida de domingo. A exceção foi justamente a mais recente: na Inglaterra, Antonelli liderava a prova quando, na volta 41, sofreu a quebra de uma proteção da roda dianteira esquerda, precisou passar pelos boxes e recebeu ainda uma penalização de cinco segundos por exceder os limites de pista. O resultado, confirmado pelo relatório oficial da Fórmula 1 sobre a corrida, foi uma corrida sem pontuar, em contraste com o domínio que havia mostrado no sábado. Quem venceu em Silverstone foi Leclerc, com Russell em segundo e Lewis Hamilton em terceiro depois de cumprir sua própria penalização por largada antecipada, como já mostrou a cobertura da corrida em Silverstone.

O que uma sequência dessas significa para um estreante

Cinco poles antes mesmo de completar a primeira metade de uma temporada de estreia é um patamar raro na história da Fórmula 1. O recorde de poles conquistadas por um piloto em seu ano de estreia pertence a Lewis Hamilton, que cravou seis em 2007 pela McLaren. Antes dele, a marca de estreante mais lembrada era a de Juan Manuel Fangio, com quatro poles em 1950, seguido por Jacques Villeneuve e Juan Pablo Montoya, cada um com três. Com cinco poles somadas e ainda restando corridas pela frente na temporada, Antonelli já superou a marca de Fangio e se tornou o segundo estreante com mais poles na história do campeonato, atrás apenas de Hamilton. É companhia rara para um piloto que começou o ano como novato ao lado de Russell, que já é um vencedor de corridas e um nome mais experiente dentro da própria Mercedes.

A briga pelo título dentro de casa

O detalhe que transforma a campanha de Antonelli em algo além de uma curiosidade estatística é a posição que ele ocupa na tabela. Depois do GP da Grã-Bretanha, o italiano soma 179 pontos e lidera o campeonato de pilotos, com Russell em segundo lugar, a 25 pontos de distância, somando 154. Hamilton aparece em terceiro, com 147, e Leclerc, mesmo com o triunfo em Silverstone, ainda soma 108 e ocupa a quarta colocação. Ou seja, mesmo com o tropeço na última corrida, que custou pontos justamente para quem mais precisava deles, Antonelli segue na ponta, e a disputa pelo título de 2026 está concentrada, por enquanto, dentro do próprio box da Mercedes.

Essa configuração é incomum: raramente um estreante chega à pausa de meio de temporada como líder do campeonato, e mais raro ainda é isso acontecer com o companheiro de equipe colado atrás. Para Russell, cada corrida agora carrega o peso extra de tentar reduzir uma diferença que, com uma vitória e um resultado ruim de Antonelli, pode cair para perto de zero. Para a Mercedes, o cenário é o oposto de um problema: ter os dois carros brigando pelo topo da tabela é o tipo de disputa que qualquer equipe deseja, mesmo que gere tensão interna sobre como tratar os dois pilotos daqui para frente.

O que vem a seguir

Sem corridas desde Silverstone, o campeonato retoma no fim de semana de 17 a 19 de julho, quando o grid desembarca em Spa-Francorchamps para o GP da Bélgica, décima etapa da temporada. Depois de uma pausa que deu tempo para a Mercedes investigar a falha que tirou Antonelli da zona de pontos, a expectativa é que o italiano tente devolver rapidamente a resposta em pista, seja em forma de uma sexta pole, seja simplesmente somando pontos consistentes para manter a distância sobre Russell. A julgar pelo que já mostrou nas primeiras corridas como piloto de Fórmula 1, ele não parece disposto a facilitar a vida de ninguém, muito menos a do companheiro de equipe que compartilha o mesmo galpão.

O histórico de estreantes na Fórmula 1 está cheio de pilotos rápidos que não sustentaram o ritmo por uma temporada inteira. Antonelli já está entre os poucos que resistiram, com o adicional de fazer isso liderando o campeonato. Falta saber se ele também vai reescrever o outro lado dessa história, a de transformar poles em título logo na primeira tentativa.

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Sobre o autor

Beatriz Rocha

Repórter de esportes com passagem por coberturas de futebol, vôlei e Olimpíadas. Escreve sobre os bastidores e a cultura das modalidades.

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